terça-feira, 11 de dezembro de 2012

O que é mudar?


Freud já definiu que tipo de mudança a psicanálise pode trazer – trocar o sofrimento neurótico pelo sofrimento do mundo. Winnicott dizia por sua vez que o pior doente é aquele que não tinha esperança, não o que sofria mais. São dois exemplos que a psicanálise não coaduna com a noção de não-sofrimento como expectativa de um tratamento psicanalítico.

Mudar significa trocar um sofrimento pelo outro. E esse outro sofrimento não é menor que o primeiro, é apenas diferente. Talvez menos angustiante, uma vez que a angústia é uma cortina que insistimos em não transpassar, e que afora o medo, ao atravessar tal cortina estamos iguais – apenas menos ansiosos.

É aí que entra a esperança em Winnicott, ou dentro do nosso contexto, o desejo de mudança. Muitas vezes o que se deseja é tão somente aplacar o sofrimento, e quando confrontado com a realidade de trocar um sofrimento não escolhido, por um escolhido, muitos desistem e continuam a buscar soluções mágicas. Nem anjos, nem demônios e nem a razão conseguem tal proeza.

É preciso antes de tudo querer mudar, não ter preguiça de mudar, e cortar na carne. Mudar é escolher qual o sofrimento se quer na vida, e não deixar a vida escolher isso para você.

Ale Esclapes

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