Uma boa forma de não resolver problema algum é culpar o Estado pelas mazelas do mundo. A esquerda adora fazer isso, desde que ela não esteja no poder, é claro. É um pensamento que vai se articulando e se embrenhando no imaginário, inclusive da imprensa, de forma que vira praticamente quase uma edição justa da realidade.
Quando se transforma pessoas em vítimas, logo se cria os salvadores. E uma parte da imprensa adora essa posição, e portanto precisa de suas vítimas.
A edição (recorte da realidade) feito pela Folha de São Paulo sobre a morte de uma pessoa atingida por um raio no litoral paulista é emblemática. A forma como se manipula a dor da família e se produz como resultado o estado ineficiente beira a falta de ética. É como se houvesse sempre essa necessidade, como não importasse sobre o que se esta falando, o importante é o resultado, como um sintoma que retorna do recalcado.
Duas frases são utilizadas para isso, uma dita pelo irmão da vítima e outra pelo marido:
"Segundo Elias, o grupo não foi alertado sobre o perigo de ficar na praia no início do temporal."
"O marido de Rosângela reclamou que não havia "estrutura adequada" para um atendimento de emergência na praia no momento do acidente. "Não tinham nenhum equipamento", disse à Folha. Segundo ele, a mulher foi socorrida por banhistas e funcionários de uma marina próxima ao local."
Provavelmente foram frases feitas na dor e no sofrimento de parentes que perderam seu ente querido. Digo isso pois desde o tempo que o homem anda pelo mundo, raios caem em nossas cabeças, quer na praia, quer no campo, quer na cidade. Está praticamente em nosso DNA. Quando existe uma tempestade, temos que nos proteger. É comportamento de grupo.
Em lugar algum se está preparado para o atendimento de uma fatalidade dessa natureza. É necessário chamar o serviço de emergência. Em qualquer estrada, se ocorre um acidente, não existem um serviço de emergência logo ali. É preciso esperar. Imagina se um raio cai em alguém, que é um fenômeno muito menos comum.
São dados da vida, aqui e em qualquer lugar do mundo. A edição da Folha no final dá a entender que é culpa do Estado que a pessoa tenha morrido porque nela caiu um raio. Isso é um sintoma de um jornal que já sabe o resultado antes mesmo de qualquer fenômeno - a culpa é do Estado ou da sociedade! Isso em psicanálise se chama sintoma. A propósito, de quem mesmo é a culpa se um raio cai na cabeça de alguém?
Ale Esclapes