sábado, 14 de junho de 2014

O discurso de ódio ...

Vivemos tempos que transformam uma questão moral em social – sim, existem algumas questões que são morais e éticas. O que aconteceu em relação à Presidente Dilma no Itaquerão é uma questão moral – não se trata dessa forma uma Presidente da República, uma mulher ou quem quer que seja.

Mas como nada é tão ruim que não possa ficar pior, a explicação do Presidente Lula para o fato é no mínimo estranha - "A elite brasileira está conseguindo fazer o que nunca conseguimos: despertar o ódio de classes". Quando transformamos uma questão moral em social, dividimos as pessoas entre brancas e negras, elite e sei lá quem, etc. e cria-se um discurso de ódio entre as pessoas. Se a explicação de Lula estiver correta, sim, ele (Lula) conseguiu despertar o ódio de classes, pois na própria explicação está contida a semente do ódio. Paradoxal não?


Tudo o que divide incita ao ódio, tudo que nos une é o amor. O discurso social não faz mais do que incitar ao ódio que resolver problemas concretos. Quando nos comportarmos como “um” e não como “eles e eu”, então poderemos sonhar sermos uma nação e a falta de educação do outro será a minha.

Ale Esclapes

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

A culpa é do Estado



Uma boa forma de não resolver problema algum é culpar o Estado pelas mazelas do mundo. A esquerda adora fazer isso, desde que ela não esteja no poder, é claro. É um pensamento que vai se articulando e se embrenhando no imaginário, inclusive da imprensa, de forma que vira praticamente quase uma edição justa da realidade.

Quando se transforma pessoas em vítimas, logo se cria os salvadores. E uma parte da imprensa adora essa posição, e portanto precisa de suas vítimas.

A edição (recorte da realidade) feito pela Folha de São Paulo sobre a morte de uma pessoa atingida por um raio no litoral paulista é emblemática. A forma como se manipula a dor da família e se produz como resultado o estado ineficiente beira a falta de ética. É como se houvesse sempre essa necessidade, como não importasse sobre o que se esta falando, o importante é o resultado, como um sintoma que retorna do recalcado.

Duas frases são utilizadas para isso, uma dita pelo irmão da vítima e outra pelo marido:

"Segundo Elias, o grupo não foi alertado sobre o perigo de ficar na praia no início do temporal."

"O marido de Rosângela reclamou que não havia "estrutura adequada" para um atendimento de emergência na praia no momento do acidente. "Não tinham nenhum equipamento", disse à Folha. Segundo ele, a mulher foi socorrida por banhistas e funcionários de uma marina próxima ao local."

Provavelmente foram frases feitas na dor e no sofrimento de parentes que perderam seu ente querido. Digo isso pois desde o tempo que o homem anda pelo mundo, raios caem em nossas cabeças, quer na praia, quer no campo, quer na cidade. Está praticamente em nosso DNA. Quando existe uma tempestade, temos que nos proteger. É comportamento de grupo.

Em lugar algum se está preparado para o atendimento de uma fatalidade dessa natureza. É necessário chamar o serviço de emergência. Em qualquer estrada, se ocorre um acidente, não existem um serviço de emergência logo ali. É preciso esperar. Imagina se um raio cai em alguém, que é um fenômeno muito menos comum.

São dados da vida, aqui e em qualquer lugar do mundo. A edição da Folha no final dá a entender que é culpa do Estado que a pessoa tenha morrido porque nela caiu um raio. Isso é um sintoma de um jornal que já sabe o resultado antes mesmo de qualquer fenômeno - a culpa é do Estado ou da sociedade! Isso em psicanálise se chama sintoma. A propósito, de quem mesmo é a culpa se um raio cai na cabeça de alguém?

Ale Esclapes


quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Política dos afetos ...


"A verdadeira tarefa política é a reconstrução de nossos afetos." 


É com essa frase que o colunista e filósofo Vladimir Safatle abre o seu artigo de hoje na Folha de São Paulo, argumentando que o que acontece pós-primavera árabe (será que ainda estamos nela?) seria o surgimento de uma nova política, e que em suas palavras ... "A política baseada no ressentimento é, de fato, algo a ser pensado. Talvez possamos dizer que, em política, o ressentimento é sempre o sentimento mobilizado contra a errância."

Colocando o que entendi em cores fortes, parece uma visão anarquista light das relações políticas, e o medo da errância uma visão conservadora. A questão é que quando paro para pensar, o texto não parece tão light assim. Mas antes de tecer mais comentários, segue o fechamento da coluna - "No entanto, esse tempo confuso produzirá sua própria superação, por mais que ela demore, por mais que refluxos ocorram, mas à condição de produzirmos novos afetos.Nesses momentos, cria-se uma divisão entre os que se voltam aos velhos afetos de sempre e aqueles capazes de adquirir uma nova confiança, uma nova força, mesmo quando o céu é turvo. Pois eles sabem que nunca haverá nova política com os velhos sentimentos de sempre."

Desculpem o excesso de citações, mas creio ser prudente e transparente dessa forma. Bom, vamos lá ... por que esse discurso analisado um pouco mais afundo não é tão light assim? Porque parece um discurso de um lobo para um cordeiro sobre uma nova organização do pasto.

Parece que a coluna não cita deliberadamente a carnificina que virou o oriente médio, preferindo a romântica argumentação sobre "política como reconstrução dos afetos". A coluna parece seguir dois preceitos trotskistas: "A única virtude moral que temos de ter é a luta pelo comunismo" e "Devemos dar um fim, de uma vez por todas, à fábula acerca do caráter sagrado da vida humana", ambos citados por Arnaldo Jabor na sua coluna de hoje no Estado de São Paulo intitulada "O perigo vermelho".

Uma frase do Jabor, resume bem o que estou tentando dizer aqui: 'No Brasil, a palavra "esquerda" continua o ópio dos intelectuais. Pressupõe uma "substância" que ninguém mais sabe qual é, mas que "fortalece", enobrece qualquer discurso. O termo é esquivo, encobre erros pavorosos e até justifica massacres.' 

Seria ético falar "reconstrução dos afetos" diante de milhares de mortes e massacres como os que hoje se vê na Síria? Que tipos de idéias levam a construção de um discurso desse, uma espécie de trotskismo travestido de psicanálise?

Não estou dizendo que mudanças não devam acontecer, que ditadores não devam cair, não é isso. Mas é o discurso produzido por uma elite acadêmica que versa o mundo de suas cátedras. É possível? Sim. É ético? Creio que não.

Quero terminar com uma frase da coluna de ontem do Luis Felipe Pondé na Folha de São Paulo: "A verdade do homem não está no que ele diz, mas no que ele faz em nome do que ele diz."  Em nome de que ou de quem se chama carnificinas de "reconstrução de afetos" e as reações à ela de "medo da errância"?

Ale Esclapes

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Desigualdade social, sei ...


Você está dizendo que 30 pessoas depredaram um cemitério e a culpa é da desigualdade social? hummmm .... fale-me mais sobre isso ...


Vândalos danificam estátuas no Cemitério do Araçá

Cerca de 30 pessoas estiveram no local no domingo e foram vistas por testemunhas pulando o portão

06 de janeiro de 2014 | 14h 34

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Para terminar bem o domingo ...


Maravilhoso ... Klaus Nomi ... não o conhecia, o descobri hoje e compartilho.

Ale Esclapes

Interpretando a notícia ...


O que significa a seguinte notícia:

Dom , 05/01/2014 às 06:52
Só 8% dos municípios arrecadam mais do que gastam
Rodrigo Burgarelli | Agência Estado
http://atarde.uol.com.br/economia/materias/1559477-so-8-dos-municipios-arrecadam-mais-do-que-gastam

Significa aumento de IPTU criatura ... ai ... detesto gente lerda!

Entre junho e julho o "brasileiro" viveu a sua "primavera" e foi para as ruas lutar pelo aumento dos R$ 0,30 (ou R$ 0,20) centavos na passagem. Conseguiram e obrigaram o poder público a rever o aumento. A conta agora está na justiça - aumento de até 30% no IPTU de quem produz riqueza na cidade de São Paulo. Onde estão todos? Onde está a "voz do brasileiro"?

É como se os "organizadores" dissessem - "Ah, aumento de IPTU tudo bem, só não pode aumentar a passagem de ônibus". Quais são mesmo os valores de tudo isso? Pura hipocrisia. Como se tudo isso não tivesse que ser pago pela população, tendo em vista que o Estado não produz nada, nadica de nada.

Interessante como muita coisa nesse país vira carnaval!

Ale Esclapes