Existe uma beleza singular na paixão – não a de Cristo, mas
na dos apaixonados. Sim é verdade, na de Cristo também, com todo o respeito que
a matéria exige. Mas voltemos aos apaixonados.
Neles existe um esperança de plenitude, um sonho, um ... “ e
viveram felizes para sempre”. E nessa delicadeza muito se constrói, muito se
releva, até porque a paixão é cega. Ah,
a cegueira – um pouco dela não faz mal a ninguém, até porque a realidade é
dura, duríssima.
Hoje não quero escrever sobre essa dureza toda, quero rever
o mundo pelos olhos dos apaixonados.
O passar o dia passar rapidinho para ver o amado. É lembrar
do cheiro desse encontro o outro dia inteiro. É não ter futuro, conta para
pagar, nada ... apenas a eterna espera do amado. Será que vamos nos encontrar
de novo? Como o mundo pode ter problemas simples!
E quem está apaixonado não tem problemas narcísicos, não
sobre de psicose. Pode até ser neurótico, mas enquanto apaixonado, está livre
da psicose. Em outras palavras, as vezes a paixão cura, o que é um paradoxo, já
que a palavra paixão significa sofrimento. Será que nossos consultórios
estariam menos cheios se nossos pacientes se apaixonassem? Provavelmente. Mas
só para retornarem algum tempo depois, mas eu já disse que não quero escrever
sobre isso.
Enfim, um pouco de cegueira, investimento libidinal no outro
e emoção à flor da pele, não fazem mal a ninguém.
Ale Esclapes
PS1. Veja os olhos apaixonados de Jamie no filme do último
post. Repare como sua paixão conduz todo o drama do filme. Tá ... é um filme, mas
não vamos hoje para a realidade. Que tal apenas contemplar a paixão de Jamie.
PS2. Não estou apaixonado, estou amando ...