sexta-feira, 30 de novembro de 2012

... e o PIB de 0,6%

Um dos mecanismos clássicos de defesa do ego é a onipotência, que é prima da negação (ou denegação). O último nega a realidade e cria um mundo de faz de contas, enquanto o primeiro cria a ilusão que somos deuses em nosso mundo criado. E como já nos ensinou Freud, essa perda da realidade se dá na neurose e na psicose.

O Brasil elegeu uma presidente e levou uma gerente. E gerentes podem ser ótimos administradores, mas são péssimos no que tange a ver um horizonte maior que gráficos e tabelas, ou simplificando, gerente não é estadista. O Brasil está sem rumo, loteado pelas “Roses” da vida. E pior, perdeu-se a vergonha, estamos em um momento da história em que a elite política não tem mais vergonha de si ... pela primeira vez na história desse país.

Se não temos rumo, tampouco temos oposição, que presta um desserviço à nação com sua apatia. Aliás, nunca na história desse país os conceitos de país e nação foram tão judiados. Lembra daquela frase “não pergunte o que o país pode fazer por você mas o que você pode fazer pelo país”? Então ... ficou brega e piegas, virou discurso de direita ... e ser de direita é algo execrável, coisa de torturador e da ditatura militar.
Como se não bastasse, dividem o nosso país entre brancos e negros. Ah, outro mecanismo de defesa do ego clássica, chamada cisão. Geralmente se cinde (divide) para melhor governar.  Ideologia virou coisa do passado, tanto da direita, quanto da esquerda, palavra feia, como puta, ainda que puta seja mais pronunciada e conhecida que ideologia.

Mas, como ninguém pode enganar a realidade por muito tempo, sem a ajuda do cenário externo espetacular da década passada, a demagogia e o populismo do atual governo mostram o que realmente conseguem – um PIB anual de no máximo 1%, enquanto os outros Bricis fecham com tranquilidade acima de 5%.

Como conseguimos ser uma nação que vive com mais assassinatos por ano que a soma de todos, eu disse TODOS os grandes conflitos bélicos do mundo? Como vivemos em uma sociedade onde nada se resolve em termos estruturais econômicos? Como esse governo tem mais de 60% de aprovação? O Brasil atual é um caso único no mundo, e merece ser muito estudado nesse sentido.

Ale Esclapes

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Quem são os “investidores”?


Durante as últimas duas décadas sempre se falou que o Estado (não importa qual – Brasil, EUA, etc ...) deveriam fazer uma série de ajustes e medidas para ganhar tal ou qual nota de classificação de uma ou outra agência a fim de atrair os chamados “investidores”. Sempre se diz que os “investidores” são avessos aos riscos, que preferem ganhos elevados, mas sempre “sem riscos”.

Fez-se de tudo um pouco no mundo em prol dessa falácia sobre esses chamados “investidores”. Ajustes brutos nas contas de Estados, licitações de serviços onde todo o risco do negócio recaia sobre os Estados (leia-se para mim e para você), aumento de impostos, etc. Nem governos ditos “de esquerda” deixaram de seguir essa cartilha. Talvez nunca na história desse país se pagou tantos juros quanto na última década, um gasto muito, mas muito maior que qualquer bolsa família.

Pois bem, isso me lembra os conceitos freudianos de deslocamento e condensação, onde uma determinada entidade do Ics se apresenta como outra no Cs. É o caso aqui desses chamados “investidores”. Como no caso freudiano, basta certa dose de questionamento socrático para se descobrir que se trata de tudo, menos, investidores.

Primeiro todo investidor de verdade sabe que o ganho é proporcional ao risco – sem risco, sem ganho.  Simples assim.  Logo, seria de se pensar que grandes riscos atrairia grandes investidores.  Talvez o que esses “investidores” estejam procurando seria outra coisa – oportunidade.

Oportunidade de ganhar sem riscos, oportunidade de ganhar sobre estados mal administrados, corruptos e populistas, que não dispõe de recursos para fazer a sua política ralé. Ou alguém imagina que os Estados de “bem estar” europeus eram (ou são) sustentáveis ao longo prazo?

Nesse momento me lembro de Bauman nos ensinando sobre o descasamento entre o poder e a política. Essa (a política) já se vendeu faz tempo aos oportunistas, já transferiu o seu poder de decisão a essa classe invisível. Será que ainda dá para se falar em democracia nesses casos?

Ale Esclapes