Hoje termino o dia particularmente feliz. Pesquisando
material para o Leds – laboratório sobre a diversidade sexual, achei no youtube
um filme que assisti várias vezes no início da década de 90, agora tento
recordar o ano, mas não consigo. Incrível como tanta coisa mudou na produção
desse tema em 20 anos.
Saudades é um sentimento que a gente pensa que conhece, mas
creio que somente se pode saber o que é isso quando se fica mais velho.
Saudades é sentir falta, mas não daquela pessoa amada – acho que dessa a gente
sente a falta mesmo. Saudades é de algo que se foi e não se volta mais, como
nossa adolescência, nossa descoberta sexual, se apaixonar (chega uma idade onde
isso não é mais possível, pois não somos mais tão ingênuos em esperar tanto de alguém),
dos grandes sonhos (hoje só me resta os possíveis, os impossíveis já não me
excitam). Acho que saudades deveria ser um termo reservado para essas coisas.
Claro que cabe saudades de uma pessoa que já morreu, mas se você estava
sentindo falta disso é porque entendeu o espírito da coisa.
Não que a vida no aqui e agora não seja boa, muito pelo
contrário, tampouco é um desejo de se voltar atrás – só os meus sapatos sabem
como foi difícil chegar até aqui. Até por isso não se trata de querer um
retorno ao passado. Outro dai visitei a rua onde morei em 1982 – tudo está
muito parecido, muito pouca coisa mudou tirando o asfalto que chegou. As
fachadas das casas, as cores, tudo idêntico. E tudo tão diferente. Recordo-me que foi um ano excepcionalmente
feliz para mim, talvez o último da minha infância que possa chamar de feliz. Mas
vendo aquelas casas, vejo que essa felicidade estava na minha cabeça e na
interação com as pessoas, meus amiguinhos, que não existem mais. Talvez a
maioria esteja viva, mas meu amiguinhos, ah, esses não existem mais.
Em resumo hoje durmo com saudades. Bom filme a todos!
Ale Esclapes
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