quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Quem são os “investidores”?


Durante as últimas duas décadas sempre se falou que o Estado (não importa qual – Brasil, EUA, etc ...) deveriam fazer uma série de ajustes e medidas para ganhar tal ou qual nota de classificação de uma ou outra agência a fim de atrair os chamados “investidores”. Sempre se diz que os “investidores” são avessos aos riscos, que preferem ganhos elevados, mas sempre “sem riscos”.

Fez-se de tudo um pouco no mundo em prol dessa falácia sobre esses chamados “investidores”. Ajustes brutos nas contas de Estados, licitações de serviços onde todo o risco do negócio recaia sobre os Estados (leia-se para mim e para você), aumento de impostos, etc. Nem governos ditos “de esquerda” deixaram de seguir essa cartilha. Talvez nunca na história desse país se pagou tantos juros quanto na última década, um gasto muito, mas muito maior que qualquer bolsa família.

Pois bem, isso me lembra os conceitos freudianos de deslocamento e condensação, onde uma determinada entidade do Ics se apresenta como outra no Cs. É o caso aqui desses chamados “investidores”. Como no caso freudiano, basta certa dose de questionamento socrático para se descobrir que se trata de tudo, menos, investidores.

Primeiro todo investidor de verdade sabe que o ganho é proporcional ao risco – sem risco, sem ganho.  Simples assim.  Logo, seria de se pensar que grandes riscos atrairia grandes investidores.  Talvez o que esses “investidores” estejam procurando seria outra coisa – oportunidade.

Oportunidade de ganhar sem riscos, oportunidade de ganhar sobre estados mal administrados, corruptos e populistas, que não dispõe de recursos para fazer a sua política ralé. Ou alguém imagina que os Estados de “bem estar” europeus eram (ou são) sustentáveis ao longo prazo?

Nesse momento me lembro de Bauman nos ensinando sobre o descasamento entre o poder e a política. Essa (a política) já se vendeu faz tempo aos oportunistas, já transferiu o seu poder de decisão a essa classe invisível. Será que ainda dá para se falar em democracia nesses casos?

Ale Esclapes

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